Considerações acerca do movimento do Portunhol selvagem: o paradigma da osmose e a resistência cultural

  • Francesca Degli Atti

Resumo

O fenômeno do “Portunhol selvagem”, criatura do poeta-editor-blogueiro Douglas Diegues, representa um interessante estímulo à reflexão acerca do nexo entre língua e identidade cultural dentro da multifacetada lusofonia brasileira. Nascido como língua literária, desenvolveu-se rapidamente num movimento cultural e ideológico que desde seu início tem apaixonando um número cada vez maior de escritores, poetas, intelectuais e até mesmo meros simpatizantes. As peculiaridades desta língua se fundamentam na hibridação linguística que se encontra no espaço fronteiriço da autobiografia de seu inventor. No entanto, o portunhol
de Diegues nasce a partir de um processo criativo original que envolve elementos de várias línguas num consciente projeto estético de “vanguarda primitiva”, que visa à formação de um espaço cultural osmótico
que incorpora e recupera a componente índia guarani num idioma “neo antiguo”. De fato, a regra do portunhol selvagem é o desregramento, a metamorfose, a contínua mudança de vocábulos, formas e referências linguísticas e culturais. Trata-se, então, de uma língua artificial e viva ao
mesmo tempo, reforçada por uma firme intenção ideológica que a torna
manifestação autêntica e paradigmática da nossa época, dividida entre a
ação de forças centrífugas e a contínua busca de novos centros de aglutinação. Entre cânone e marginalidade, entre autenticidade e artificialidade, a proposta de Diegues torna-se uma orgulhosa voz de oposição e de resistência cultural.

Palavras-chave. poesia brasileira, portunhol selvagem, Douglas
Diegues.
Publicado
Aug 2, 2015
Como citar
DEGLI ATTI, Francesca. Considerações acerca do movimento do Portunhol selvagem: o paradigma da osmose e a resistência cultural. Babilónia - Revista Lusófona de Línguas, Culturas e Tradução, [S.l.], n. 13, aug. 2015. ISSN 1646-3730. Disponível em: <http://revistas.ulusofona.pt/index.php/babilonia/article/view/5160>. Acesso em: 13 dec. 2017.