Maria, José, o Cavalo Dele, e o Índio Dela

  • João Henrique Pinto Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

«Teremos todo o tempo do mundo para esse género de loucuras mais tarde, meu anjo. Agora, o único devaneio a que eu gostaria que nos entregássemos seria à existência terrena dos nossos dois corpos, mas transportados até um limiar ultra-cósmico... E que fizesses amor comigo como se fosse o último dia da nossa vida neste planeta azul. E que o teu corpo absorvesse toda a matéria e toda a energia do meu, que já começa a desafiar as leis da gravidade... Ah!?... O que é que me dizes?...»
«Oh!!!... Estou a falar a sério, Maria. Estou a dizer-te que vi um cavalo a passar lá fora. Não tinha cabeça e corria a galope, acompanhado pelo que me pareceu ser um índio.»
«E não seria o índio quem não tinha cabeça, em vez do cavalo?!»
«Mas o índio tinha cabeça — e no topo dela tinha aquela coroa feita de penas compridas e iridescentes, que normalmente identificam os chefes das tribos; e o cavalo só tinha o pescoço, espetado acima do tronco. Tenho a certeza!»
« Pronto! Está bem, Zé!... Vamos lá tentar ver esses dois personagens...»
«Ó meu querido Mariazinha... Vem cá! Vem cá que eu vou mostrar-te.
Mas tira daí a mãos, senão quem te arranca a cabeça sou eu!»
«Uuiii! Que medo. A minha Zezinho fofinha está uma fera... Pronto! Está melhor assim?»
«Muito melhor. Agora é só esperar. Normalmente, a esta hora, costumam dar duas voltas à casa, antes de partirem em direcção ao alto das colinas...»

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Como citar
PINTO, João Henrique. Maria, José, o Cavalo Dele, e o Índio Dela. Babilónia - Revista Lusófona de Línguas, Culturas e Tradução, [S.l.], n. 06/07, nov. 2009. ISSN 1646-3730. Disponível em: <http://revistas.ulusofona.pt/index.php/babilonia/article/view/920>. Acesso em: 25 apr. 2019.
Secção
Escrita Criativa