O cavalo em lenta metamorfose

  • Paula Cristina Costa Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

Era um dia triste de Inverno. Lá fora, o vento gemia e a chuva relinchava de encontro aos vidros, com toda a virilidade de um cavalo sem freio e sem rédeas. Sofia, sentada à sua secretária, lia. Ou fingia que lia. Porque, realmente, na fértil aridez da sua leitura, outras imagens se sobrepunham, a um ritmo vertiginoso, às do texto. Uma delas, era a de um cavalo que corria, inclinado contra o vento, com a espuma das suas crinas ao rubro. Cavalo de terra, cavalo de água, pensava Sofia. Primeiro, via-o surgir, com toda a nitidez, sem esporas, sem rédeas, sob a crosta da superfície da terra. Depois, à medida que o seu olhar se ia fundindo com a linha do horizonte, e com aquela chuva morrente, já sem pescoço, sem cabeça. Olhá-lo, era para Sofia, preparar-se para seguir os seus caminhos de fogo. Rasgar-se por inteiro e abandonar-se ao galope daquela liberdade verde.

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Como citar
COSTA, Paula Cristina. O cavalo em lenta metamorfose. Babilónia - Revista Lusófona de Línguas, Culturas e Tradução, [S.l.], n. 06/07, nov. 2009. ISSN 1646-3730. Disponível em: <http://revistas.ulusofona.pt/index.php/babilonia/article/view/921>. Acesso em: 15 july 2019.
Secção
Escrita Criativa