A configuração evenemencial da publicidade

  • Samuel Mateus Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) FCT

Resumo

Na produção do socialmente notável, isto é, do acontecimento, há o envolvimento de uma dimensão colectiva irrefutável.Com efeito, o acontecimento é algo que se posta do lado do extraordinário e do socialmente pertinente assumindo contornos imediatamente públicos. E a sociedade estabelece-se a partir da sua encenação em acontecimentos públicos – na dupla articulação de ocorrências tornadas comuns e ocorrências fazedoras de mais publicidade. Há, pois, uma relação estreita entre a realização eventiva das sociedades e a realização pública, isto é, entre o acontecer e o fazer acontecer da sociedade. O acontecimento é uma construção em continuidade, sempre inconclusiva porque sempre irrepetível, espécie de acontecimento singular tornado regra que a sociedade se obriga a recuperar através do seu princípio público. Deste ponto de vista, o acontecimento, enquanto categoria genérica de recorte público dos eventos, é um acontecimento-rito, uma prática que as sociedades cultivam como método primário de organização da sua experiência. Procura-se, nesta reflexão, ponderar a relação entre publicidade e acontecimento inserindo-a numa perspectiva religiosa e moral das sociedades. Trata-se, então, de inverter o privilégio da análise: concentrarmo-nos, não no ajuste público do acontecimento mas na própria configuração eventiva da publicidade.

Palavras-chave: publicidade, acontecimento mediatizado, comunicação ritual, religião.

Publicado
Sep 3, 2013
Como citar
MATEUS, Samuel. A configuração evenemencial da publicidade. Caleidoscópio: Revista de Comunicação e Cultura, [S.l.], n. 10, sep. 2013. ISSN 1645-2585. Disponível em: <http://revistas.ulusofona.pt/index.php/caleidoscopio/article/view/3712>. Acesso em: 27 apr. 2017.
Secção
Artigos