ARTIGOS - O «CAIS» DE SANTA IRIA UMA REFLEXÃO SOBRE UMA VELHA QUESTÃO

Luís Mata

Resumo


As cidades de Tomar e de Santarém encontram-se geminadas pelo “mito historiográfico” de Iria, cujo corpo, martirizado na ignota Nabância, viria a “encalhar” nas praias da velha Scalabis, à qual, segundo é vulgarmente aceite, passaria a emprestar o nome. Ora, se Mito e História são basicamente antitéticos (pois que, ao reintegrar o Homem numa época a-temporal, resgatando-o da dimensão espacio-temporal profana, o relato mítico como que anula a ciência Histórica), poderão os relatos hagiográficos como o de Iria, de forte pendor mitológico, ser tomados como fontes históricas?

É nossa firme convicção que o estudo das manifestações religiosas exige uma metodologia de investigação avessa às abordagens positivistas, ou, por assim dizer, “documento-dependentes”. Sobretudo quando os esquemas interpretativos assentam em fontes intrinsecamente ideológicas, como são as cristãs. Como diz Rosa Sanz Serrano «está condenada ao fracasso qualquer tentativa de classificar as crenças dos hispanos ocultas na imprecisão, ambiguidade e na interpretação que delas fazem as fontes cristãs, alheias muitas vezes aos valores e significados dos factos observados em contextos culturais distintos e outras intencionalmente predispostas à sua ocultação».


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Revista Lusófona de Ciência das Religiões é a publicação, semestral, da Licenciatura e do Centro de Estudos em Ciências das Religiões, da Unidade de Ciência, Tecnologia e Sociedade, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, do Ministério do Ensino Superior, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.