• Cogitur Journal of Tourism Studies
    n. 5 (2012)
    Cogitur, nº5 (2012)
  • Cogitur
    v. 4 n. 4 (2011)
  • Cogitur
    v. 3 n. 3 (2010)
  • v. 1 n. 1 (2008)

    Editorial

    Há dois anos o Curso de Turismo da Universidade Lusófona decidiu, através do CISE Centro de Investigações Sociais e Empresariais, que constitui suporte dos seus trabalhos de investigação e de prestação de serviços à comunidade, editar uma publicação com a designação “Proceedings em Turismo”.
    O objectivo desta primeira publicação foi o de elaborar e divulgar o produto da pesquisa, reflexão e investigação dos seus docentes e discentes sobre questões relacionadas com a actividade turística e, desta forma, ganhar experiência e capacidades para dar corpo a projectos mais ambiciosos tendo em vista a afirmação do curso como espaço de reflexão descomprometida e transparente.
    Tal como então, reafirmamos que “a Universidade não se substitui, em experiência, às vivências daqueles que quotidianamente se defrontam com os problemas da vida real ou perspectivam desenvolvimentos futuros, mas tem de ser espaço de análise crítica, de reflexão e de produção de conhecimentos ao serviço da comunidade: espaço de reflexão para fora confrontada com a realidade e com as experiências.”
    Durante muito tempo, demasiado tempo, o turismo, apesar do espaço que foi ganhando na sociedade e na economia até se transformar num dos fenómenos mais marcantes e relevantes do mundo contemporâneo, ficou à margem das preocupações académicas e a sua comunidade científica encarou-o com pouco mais do que desdém. As consequências estão por determinar mas é geralmente reconhecida a reduzida importância política que lhe tem sido atribuída e a inexistência, ainda em muitos domínios, de uma base científica que fundamente as orientações e decisões mais adequadas ao seu correcto desenvolvimento. Muitos dos aspectos negativos que se apontam ao turismo poderiam ter sido eliminados ou atenuados com o melhor conhecimento da sua natureza e dos seus efeitos.
    Nos últimos anos, porém, o turismo ganhou definitivamente o estatuto de área de conhecimento a ser desenvolvida pelas Universidades e as obras e trabalhos científicos que o abordam têm-se multiplicado em todo o mundo. A investigação do turismo envolve hoje uma vasta plêiade de estudiosos que vão desde os economistas ou os sociólogos, aos geógrafos ou antropólogos até aos urbanistas ou, porque não assumi-lo, “turistólogos”.
    É a resposta a um fenómeno multidimensional que cada vez mais respeita a todos os cidadãos e responde aos seus anseios pessoais e profissionais.
    Também Portugal não tem ficado atrás no interesse geral gerado em torno do conhecimento do turismo, o que nos é grato destacar, cumprindo aliás, uma tradição histórica quase
    secular. Ocupando desde há quase quatro décadas um lugar destacado no conjunto dos principais destinos turísticos mundiais, Portugal foi dos primeiros países europeus a reconhecer o turismo como um domínio de conhecimentos universitários contando-se, por várias dezenas, os cursos em funcionamento que abrangem desde as licenciaturas aos doutoramentos. Em paralelo muitos portugueses, com formação em diversas áreas científicas, desenvolvem no país e no estrangeiro uma actividade de investigação de grande relevo que se traduz na publicação de livros e artigos com aceitação nas principais revistas
    científicas internacionais.
    Apesar disso, a investigação turística ainda não tem o reconhecimento que lhe é devido pelas instituições a quem compete estimulá-la e valorizá-la e continua a ser muito escassa a sua utilização como instrumento de decisão tanto pelas empresas como pelas administrações públicas. Esta é, aliás, uma das grandes dificuldades com que se defrontam os centros criados pelos diversos cursos com o objectivo de desenvolverem a investigação e nela fazerem participar activamente tanto os docentes como os discentes.
    Sendo uma dificuldade não pode, contudo, transformar-se num impedimento na medida em que o ensino, e as qualificações e as competências que visa alcançar, só se podem desenvolver e progredir com a constante aquisição de conhecimentos assente na reflexão, no debate e na investigação.
    É com este espírito que decidimos substituir a edição dos “Proceedings em Turismo” por uma revista científica, aberta à colaboração de docentes e discentes da Universidade Lusófona mas também a todos os portugueses e estrangeiros, que de algum modo se interessem pelas diversas problemáticas relacionadas com o turismo, qualquer que seja a sua área de conhecimento.
    A Universidade Lusófona orgulha-se de ter sido a primeira Universidade de Lisboa e também a primeira privada do País a criar uma licenciatura em Turismo que já se afirmou como um dos cursos de referência. Vai, este ano, iniciar as comemorações do seu 10º aniversário e a melhor maneira de o fazer é com esta iniciativa.
    A revista assume-se como um espaço de reflexão técnicocientífica em que se assegurará o rigor, a liberdade e a isenção de pensamento e de análise crítica. Para alcançar estes objectivos foi constituído um Conselho Editorial de que fazem parte académicos das diversas áreas científicas que estabelecem com o turismo inter-relações profundas e que exercem as suas actividades docentes e de investigação em universidades portuguesas e estrangeiras. Ao mesmo tempo foi constituído um Conselho Consultivo formado por alguns dos empresários mais destacados da actividade turística portuguesa com o fim de assegurar uma análise crítica sobre a adequabilidade das reflexões produzidas pelos autores dos
    trabalhos a publicar às realidades empresariais.
    A primeira triagem de trabalhos a rubricar será, porém, assegurada pelo Conselho Redactorial.
    Esta rede de cientistas, docentes e empresários constituirá o sistema de revisão anónima "Blind referee" através do qual serão analisados e avaliados os artigos a publicar, sem prejuízo do recurso a outras personalidades quando estiverem em causa matérias que escapam ao conhecimento dos elementos dos referidos conselhos.
    Estamos conscientes das responsabilidades que assumimos e não ignoramos as dificuldades com que nos iremos defrontar mas estamos com o empenhamento de todos quantos participam neste projecto e confiamos que o rigor e a isenção que asseguraremos serão uma forte razão para todos, quantos o desejarem, publicarem os seus trabalhos nesta revista.

    O Director
    Professor Dr. Licínio Cunha

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