A Europa à Procura da Memória

  • Guilherme d´Oliveira Martins ULHT

Resumo

Há um livro de Stefan Zweig que deveria ser lido por todos os europeus preocupados com o nosso futuro. Em “O Mundo de Ontem. Recordações de um Europeu”, obra póstuma, publicada em 1944, o escritor austríaco desenha, de um modo impressionante, o contraste entre a placidez e o optimismo dos primeiros anos século XX e os desenvolvimentos que se seguiram. Nada fazia adivinhar a eclosão da barbárie. Nada anunciava os campos de concentração, a intolerância, a cegueira, a loucura colectiva… A Europa parecia ser um lugar pacífico, orgulhoso do seu progresso. Havia o culto da juventude. Na imagem dos homens, em nome desse ditame, as barbas tinham desaparecido, subitamente. As saias começaram a subir, a moda foi-se simplificando, em nome da liberdade de movimentos, e as mulheres deixaram de temer o ar e o sol. “O mundo não só se tinha tornado mais belo, mas também mais livre”. Não havia, aparentemente, sinais inquietantes. Pelo contrário, em cada novo momento surgiam novos motivos de satisfação. Que continente extraordinário era a Europa das grandes avenidas, das comodidades, da água quente e do telefone, dos teatros, das novas bibliotecas e dos novos museus. A bicicleta, o automóvel e os caminhos-de-ferro tinham reduzido as distâncias e tinham dado ao mundo um novo sentimento de largueza e de espaço. “Os dias marcantes da nossa existência tinham maior luminosidade do que os dias comuns”. Nunca a Europa tinha sido tão poderosa, tão rica, tão bela. Nunca tantos tinham acreditado tanto num futuro radioso e inexorável.
Publicado
Sep 5, 2011
Como citar
MARTINS, Guilherme d´Oliveira. A Europa à Procura da Memória. Res-Publica - Revista Lusófona de Ciência Política e Relações Internacionais, [S.l.], sep. 2011. ISSN 1646-3862. Disponível em: <http://revistas.ulusofona.pt/index.php/respublica/article/view/2417>. Acesso em: 18 nov. 2017.