COMO TODAS AS UNIVERSIDADES, A “LUSÓFONA” NÃO PODE DEIXAR DE TER COMO OBJETIVOS OS CLÁSSICOS OBJETIVOS “DA DOCÊNCIA, DA INVESTIGAÇÃO E DA EXTENSÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE...”

  • Fernando Santos Neves Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

Como todas as Universidades, a “lusófona” não pode deixar de ter como objetivos os clássicos objetivos “da docência, da investigação e da extensão ou prestação de serviços à comunidade...”
Sobre o objetivo da “docência” não saberia dizer mais nem melhor do que o já por mim mil vezes dito e publicado, por exemplo, nas “Onze Teses sobre o Ensino Superior em Portugal e em todo(s) o(s) Espaço(s) Lusófono(s), Que Ensino Superior para o Século XXI?”:
“O Ensino Superior deverá ser considerado, nos alvores do século XXI, como a “instrução” ou a “educação” ou a “alfabetização” ou a “literacia” própria do nosso tempo, à semelhança do que, noutros tempos, foi considerada a “escola primária” e a “escola secundária”. Desgraçadamente, fazendo jus à observação de P. Teilhard de Chardin, “uma multidão dos nossos contemporâneos ainda não são modernos” e apenas cronologicamente podem dizer-se do nosso tempo.. E continua a ser de permanente e premente atualidade o título da histórica conferência de António José Saraiva sobre “A Escola, problema central da Nação” ou a sentença do nunca assaz louvado autor da já semi-centenária obra “O Desporto e as Estruturas Sociais” (Edições Universitárias Lusófonas, Nova Edição): “O maior crime político deste país tem sido, porque sem escândalo nacional, o desinteresse pela educação”.
Consequentemente, o Ensino Superior deveria ser normal e constitucionalmente proclamado, em sentido análogo ao que noutros tempos se fez relativamente à “escola primária” e à “escola secundária”, como“universal, obrigatório e gratuito” (tal foi, aliás, o sentido provocatório da minha “opinião publicada e discursada” sobre o assunto, em que até falei, “não já de rendimento mínimo mas de habilitação mínima nacional garantida”); e a imposição de qualquer “numerus clausus”, para além de constituir um crime e um absurdo em si mesmo, significa também a condenação de um País e de um Povo ao subdesenvolvimento.
Consequentemente também, é mesmo verdade e deveria ser já para todos uma evidência que o Ensino Superior faz parte da panóplia dos direitos humanos fundamentais, contra todos os aristocratismos serôdios e elitismos provincianos daqueles para os quais democracia ou escola para todos e qualidade aparecem como incompatíveis e não querem que todos sejam “doutores” para continuarem eles com o exclusivo e os privilégios de“Senhores Doutores” ou, nas palavras agrestes do ministro Mariano Gago, contra “todos os imbecis que vão continuar a dizer que há doutores e estudantes universitários a mais”. E oxalá esteja para breve o tempo em que, obviamente, não haja desempregados mas em que todos os desempregados que houver tenham o diploma de licenciatura (1º Ciclo da“Declaração de Bolonha). Nesse momento e só nesse momento Portugal teria deixado de ser um país de analfabetos! ”Maximamente oportuna e maximamente decisiva para o futuro da sociedade portuguesa é a nova filosofia de abertura das portas das universidades a todos os candidatos com mais de 23 anos, independentemente das suas habilitações oficiais (Decreto-Lei nº64/2006 de 21 de março). Arrepiando caminho da velha mentalidade subjacente, por exemplo, aos antigos “Exames Ad-Hoc” (que visavam não a inclusão, mas a exclusão do universo do ensino superior aos adultos portugueses), esta legislação poderá vir a significar aquilo que já foi rotulado como uma verdadeira “Revolução Cultural” e como a hora cairologicamente certa da “Universidade para Todos”7.
Juntamente com a implementação da “Declaração de Bolonha”, de que, aliás constitui um elemento essencial para quem tem olhos de ver, é uma das grandes e últimas oportunidades de as universidades portuguesas e, de maneira mais global, a sociedade portuguesa no seu conjunto retomarem os caminhos da modernidade e do desenvolvimento.
Na vertente “investigação”, a “Lusófona” vive uma hora particularmente dinâmica e não é só pelas proclamadas exigências, teóricas, práticas e burocráticas, da implementação da “Declaração de Bolonha”...
Esse dinamismo vem de trás e desde há muito se reflete, por exemplo, nos vários “Centros e Unidades de Estudo e Investigação” reconhecidos pela “Fundação para a Ciência e Tecnologia” e, tipicamente, no “Estatuto do Investigador” e nas numerosas Revistas Científicas (on-paper e on-line), que constituem casos absolutamente singulares no conjunto de todas as universidades portuguesas (públicas, privadas, concordatárias e quaisquer outras!).
Quanto à “extensão universitária” e mais precisamente quanto à específica ligação “Lusófona-Empresas e Lusófona-Sociedade”, é de todos conhecido e reconhecido o pioneiro trabalho do nosso “Gabinete do Empreendedorismo” e posso anunciar que anunciada será em breve a criação do “Conselho Geral de Assessoria Estratégica”, o qual, segundo os estatutos, “terá como missão apresentar propostas relativas ao desenvolvimento da ULHT, tendo particularmente em vista adequar o ensino e a investigação que nela se fizer às potencialidades, necessidades e interesses de Portugal e de todos os países e povos lusófonos” e “será composto por personalidades particularmente relevantes, tanto sob ponto de vista cultural e social como económico e político”. E também desde já posso anunciar que, para a Presidência, será convidado o nosso amigo e companheiro de sempre, Dr. António de Almeida Santos, que (Lusofonia e Amizade obrigam!) não se tem cansado de dizer que ao Reitor da “Lusófona” Fernando dos Santos Neves nunca soube nem saberá dizer “Não”.
Como citar
SANTOS NEVES, Fernando. COMO TODAS AS UNIVERSIDADES, A “LUSÓFONA” NÃO PODE DEIXAR DE TER COMO OBJETIVOS OS CLÁSSICOS OBJETIVOS “DA DOCÊNCIA, DA INVESTIGAÇÃO E DA EXTENSÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE...”. Revista Lusófona de Humanidades e Tecnologias, [S.l.], n. 12, nov. 2009. ISSN 1646-4028. Disponível em: <http://revistas.ulusofona.pt/index.php/rhumanidades/article/view/982>. Acesso em: 29 mar. 2017.
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