Os Intérpretes - Peça em três actos

  • António Moncada de Sousa-Mendes Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

Na sala ainda obscura, ouve-se como barulho ou ruído de fundo um cortaunhas a cortar muitas unhas. Uma senhora elegantemente vestida acompanhada por um colega corpulento e extravagante, usando um monóculo no olho direito, chega a um grande aeroporto. Os dois, carregando bagagem ligeira, dirigem-se para o controlo dos passaportes onde uma funcionária local se prepara para verificar os passaportes. Esta funcionária ( A ) é uma pessoa relativamente nova, magra, decidida e naturalmente autoritária. A: avancem, vamos, depressa! Há muita gente a seguir aos senhores. Mostrem lá os vossos passaportes! B (senhor corpulento falando com modos afectados): ó colega, já viu como esta funcio-nária trata as pessoas? Até parece que estamos a entrar numa colónia penal.... C (senhora um pouco assustada): ai colega, se você não estivesse aqui agora, até me dava o badagaio! A: caramba, até parece que estão a dormir. Já deviam ter os passaportes na mão. B( procurando nos bolsos com nervosismo e depois mostrando-o): aqui tem o meu passaporte, minha querida senhora! A(dirigindo-se à colega C ): então e você não tem nada a mostrar-me? C (atrapalhada): ah, pensei que primeiro era só o passaporte do meu colega... A: você não tem nada que pensar! Eu é que estou aqui em serviço. Então esse passaporte, é para quando? C: aqui o tem, minha senhora. Queira desculpar.
Secção
Escrita Criativa