O Revisor

  • Patrícia Mata Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

Paulo, o revisor, acordou sobressaltado e encontrou o comboio a andar por um local desconhecido. O comboio deslocava-se a baixa velocidade. Demasiado baixa para aquele tipo de comboio. De repente o cheiro doce do campo começou a desaparecer. Nuvens escuras aproximavam-se e quando o comboio entrou por um túnel a paisagem campestre tinha desaparecido. Em vez disso um horizonte como Paulo nunca tinha visto estava no seu lugar. Um cenário mórbido, frio e triste. Parecia que nada podia ser feito para fazer algo viver, crescer naquele lugar. Nem num milhão de anos! O revisor começou a ouvir vozes — vozes distantes que falavam alemão. Paulo procurou no comboio e não encontrou ninguém. Não havia passageiros, guarda-freio, ninguém. No entanto, o comboio continuava a andar. A certa altura, o comboio parou numa estação e Paulo reparou, com horror, nos oficiais alemães que estavam na estação. Eles não viram ou ouviram o comboio, eles não viram ou ouviram o revisor. Mas Paulo via-os e ouvia-os e embora não soubesse uma palavra de alemão, Paulo compreendia tudo aquilo que eles diziam. O revisor viu um grupo de alemães irem para um carro e decidiu ir com eles. O carro deslocava-se a grande velocidade, enquanto os alemães falavam, riam e contavam anedotas. Paulo não gostava deles. Os seus uniformes, com a suástica no braço esquerdo, provavam que ele não o estava no meio dos melhores ou na melhor época da história da humanidade.
Secção
Escrita Criativa