Worikg Kaingang: quando o museu conecta com a memória
Resumo
Os debates contemporâneos no campo da museologia, da memória e da curadoria têm enfatizado a urgência da descolonização dos museus como resposta às demandas históricas das populações pós-coloniais. Este artigo propõe-se a analisar o Museu Comunitário Worikg do povo Kaingang como um projeto que desafia os paradigmas da museologia canônica, tradicionalmente estruturada em modelos cronológicos, interpretativos e reducionistas, frequentemente alheios às realidades e epistemologias indígenas.
A pesquisa centra-se na experiência do povo Kaingang, especificamente na Terra Indígena Vanuíre, no estado de São Paulo, explorando o desenvolvimento do Museu Worikg enquanto prática museológica contra-hegemônica. Este museu constitui-se como um espaço de resistência ao legado colonial, sobretudo no contexto da museologia brasileira, ao adotar uma abordagem curatorial distinta, voltada à valorização das memórias e saberes indígenas. Por meio da promoção de um discurso anticolonial e da construção de uma narrativa que emerge da própria comunidade, este estudo visa contribuir para a reflexão sobre a importância de reconhecer e aprender com iniciativas museológicas intra-comunitárias. Tais experiências possibilitam o enfrentamento das estruturas ideológicas modernas-coloniais ainda presentes nas instituições culturais, propondo alternativas que respeitam e fortalecem as identidades originárias.
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