Onde estão as mulheres? Um olhar sociomuseológico sobre a política de acervo do Museu do Café
Resumo
O presente artigo analisa criticamente o processo de construção da Política de Gestão de Acervo do Museu do Café, concebida em 2019, a partir da perspectiva teórico- metodológica da Sociomuseologia e em diálogo com as epistemologias feministas. Partindo da compreensão de que documentos orientadores museológicos constituem dispositivos ético- políticos e não apenas instrumentos técnicos, o estudo examina os processos de escuta e de conceituação que fundamentaram a política institucional, buscando identificar em que medida as questões de gênero — especialmente a atuação e a representação das mulheres no universo cafeeiro — foram incorporadas. Articulam-se referenciais como a nova definição de museu do Conselho Internacional de Museus (ICOM), a Recomendação da UNESCO sobre Museus e Coleções, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, com ênfase no ODS 5, e aportes teóricos de Simone de Beauvoir, Judith Butler, Maria Cristina Oliveira Bruno, Mário Moutinho e Judite Primo. A análise evidencia avanços conceituais relevantes, sobretudo no reconhecimento de lacunas e silenciamentos históricos, mas também aponta limites estruturais na incorporação do gênero como eixo estruturante da política. Conclui-se que a Política de Acervo do Museu do Café expressa um processo institucional em disputa, situado entre sinergias e enfrentamentos, revelando potencialidades para transformações futuras no campo da Socioomuseologia e de gênero.
Palabras chave: Sociomuseologia; Museus, Gênero; Política de acervo; Café; Patrimônio cultural.
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Política para Periódicos de Acesso Livre
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