Autografia planetária e visualização indexical

O fotográfico nas materialidades da terra

Autores

DOI:

https://doi.org/10.60543/0xpz9b83

Resumo

Este ensaio propõe expandir a noção de autografia da Terra à categoria de estrutura medialógica, evidenciando como marcas materiais — fósseis, anéis de árvores, pegadas, estratigrafias — funcionam como arquivos proto-fotográficos, anteriores à ação humana. A Terra, assim, apresenta-se como agente autónomo de inscrição indexical, antecipando os processos dos media técnicos fotográficos numa autografia planetária onde o traço material funda a legibilidade do mundo.

Defende-se que estes traços constituem-se matriz de significação das materialidades terrestres: índices que mantêm uma relação causal com aquilo que representam, perpassando um anacronismo fotográfico enquanto vestígio.

Da fotografia ao LIDAR, redefine-se a visualidade do planeta, interligando o que a Terra revela por si ao que os dispositivos técnicos tornam visível, uma operação medial patente no conceito de imagem-operativa (Farocki): as imagens, ponto por ponto, mantêm a contiguidade com o traço material. Compreender o fotográfico como estrutura e processo, para lá do antropocentrismo técnico, e perceber a Terra enquanto arquivo dinâmico de informação, torna-se essencial na produção da legibilidade planetária — e como toda a matéria é já uma operabilidade fóssil.

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Publicado

2026-10-02