Prefácio

  • Vicente del Rio Calpoly

Resumo

Percepção Ambiental (Sao Paulo: Studio Nobel, 1996).

Indubitavelmente, as relações que cultivamos com o ambiente que nos cerca são fundamentais não apenas para a nossa sobrevivência fisical e mental como indivíduos, mas a da nossa cultura e sociedade. Nesse sentido, a nossa inserção no meio urbano constitui importantissima faceta de nossa existência já que, segundo recente relatório da ONU, metade da população mundial já vive em áreas urbanas – percentual que deverá atingir 60% em 2030 – onde passamos grande parte da vida, entre o lar e o trabalho. As qualidades que percebemos e como nos sentimos na cidade tornam-se, assim, variáveis fundamentais para o nosso bem-estar.
Se todos os nossos cinco sentidos colaboram nessa percepção ambiental e na formação de sentido do que experienciamos, a visão predomina na grande maioria dos casos e para a maior parte de nós. Já nos ensinava James Gibson (1950) que, na percepção do mundo visual, o que vemos –estimulo físico– e complementado por processos mentais inviduais, a partir do qual, significados são inferidos. 
Assim, as “ambiencias urbanas” são construidas em nossa mente através da dinâmica entre o que vem de fora com o que vem de dentro, por assim dizer... E o que “vem de dentro” origina-se na formação e na personalidade de cada individuo, onde cultura e senso estético assumem papeis primordiais. Reagimos ao ambiente de acordo com os significados – conscientes ou inconscientes – que identicamos nele (Rapoport, 1982). Dessa maneira, avaliamos o que percebemos, formamos as nossas opiniões, e orientamos as nossas ações, num constante e dinâmico processo interativo com o ambiente que nos cerca. Além disso, a psicologia da gestalt nos ensina que nunca percebemos objetos sozinhos mas sempre em relação uns aos outros, conformando contrastes, combinações, e estruturas significativas. Nunca percebemos nada em um vácuo, mas num contexto ao qual inferimos significados e julgamentos. Numa cidade, traços e planos, linhas e pontos, cheios e vazios são igualmente importantes, mas sempre adquirem significado em oposiçãoo uns aos outros.

Secção
Numero especial: Desenho urbano elementos de análise morfológica