1820-Revista de Ciência Política
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<p>Revista de Ciência Política é uma publicação periódica semestral da<br>Faculdade de Direito e Ciência Política da Universidade Lusófona - Centro<br>Universitário do Porto, editada, simultaneamente, em formato de papel e em<br>suporte digital. </p>pt-PT1820-Revista de Ciência Política2184-3910Editorial
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<p>Os tempos que atravessamos são de transformações profundas e mesmo de rutura com muitos dos cânones a que há décadas nos fomos habituando na Europa e no mundo ocidental. Não falamos somente no “apelo às armas” na Ucrânia e nas modificações geopolíticas e geoestratégicas que esse terrível facto tem provocado, mas noutras de magnitude semelhante.</p>Rui AlbuquerqueAntónio Tavares
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2026-02-062026-02-06185610.60543/rcp1820.v1i8.11014O 25 de Abril dos Capitães e a Constituição da República
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<p>No léxico da Revolução de 1974, foi rapidamente consagrada a expressão “capitães do 25 Abril” – ou, simplesmente, “capitães de Abril” –, designando genericamente os oficiais que conspiraram para derrubar o regime do Estado Novo, feito que lograram concretizar há 51 anos e que, naturalmente, inspira o tema desta sessão. Menos utilizada tem sido outra expressão, quase com as mesmas palavras, que aqui identificarei como “o 25 de Abril dos capitães”, a qual pode representar, na minha opinião, o ideal do Movimento das Forças Armadas até ao começo do “dia inicial, inteiro e limpo”.</p>David Martelo
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2026-02-062026-02-061871410.60543/rcp1820.v1i8.11015O papel da cultura na (re)afirmação dos valores democráticos em Portugal: entre a ditadura e a democracia
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<p>Este artigo explora o papel da cultura na reafirmação dos valores democráticos em Portugal, com foco nas transformações culturais após a Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974. A transição de um regime autoritário para um sistema democrático não apenas alterou as estruturas políticas, como também reformulou as práticas culturais, que passaram a ser reconhecidas como um pilar fundamental na construção de uma sociedade mais justa, pluralista e participativa. O estudo destaca a importância da música de protesto, do património cultural e das políticas culturais públicas na promoção da cidadania e da inclusão social. Salienta também o potencial transformador da educação artística e das comemorações do 25 de Abril no reforço da memória coletiva e da consciência democrática. Apesar dos progressos alcançados, o artigo identifica desigualdades persistentes no acesso à cultura e propõe recomendações para reforçar políticas culturais inclusivas como meio de aprofundamento da democracia.</p>Luísa CaianoPaulo Vicente
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2026-02-062026-02-0618153110.60543/rcp1820.v1i8.11016A Revolução do 25 de Abril na política externa portuguesa - Uma perspetiva realista neoclássica sobre a redefinição das prioridades da ação externa portuguesa (1974-1978)
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<p>O golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 e a revolução deram início a um processo de transição de regime político que desencadeou profundas alterações nas estruturas políticas, económicas e sociais de Portugal. O objetivo da nossa investigação é analisar as implicações dessas transformações na política externa portuguesa, ao explorar as dinâmicas por detrás da transição de uma orientação estratégica atlantista e imperial do Estado Novo para as novas diretrizes euro-tlânticas do Portugal Democrático, com recurso à lente teórica do realismo neoclássico, e desta forma, contribuir para a compreensão das dinâmicas que moldaram a inserção internacional de Portugal no pós-25 de Abril, assim como explicar o porquê da escolha pela opção europeia. Com recurso à lente teórica do realismo neoclássico, as características sistémicas, aliadas à dotação de capacidades das unidades, definem a política externa dos Estados na arena da política internacional. Concluímos que a pressão sistémica e as condicionantes domésticas determinaram a redefinição das prioridades da ação externa portuguesa, a favor da opção europeia, assim como contribuíram para a definição da nova posição de Portugalno sistema internacional da Guerra Fria.</p>João Tavares
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2026-02-062026-02-0618335510.60543/rcp1820.v1i8.11017A Nova Geopolítica da Cibersegurança: Impactos, Desafios e Estratégias de Defesa
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<p>A cibersegurança tornou-se um elemento essencial na geopolítica, pois reflete a crescente interdependência digital entre as nações. Este artigo investiga a cibersegurança como uma ferramenta estratégica usada pela União Europeia e outras potências no sistema internacional, para proteger os seus interesses nacionais e moldar as suas relações internacionais. A análise foca-se em como a cibersegurança é utilizada para alcançar certos objetivos e influências políticas e económicas, em especial no contexto da crescente ameaça de ataques cibernéticos, espionagem digital e manipulação de dados. A figura de Edward Snowden, cujas revelações sobre vigilância em massa desafiaram o entendimento sobre a privacidade, é abordada como um caso fundamental. Além disto, explora-se o papel de figuras influentes como Elon Musk e Mark Zuckerberg, cujas empresas e tecnologias têm implicações diretas nas questões de segurança digital e controlo da informação. O artigo demonstra como a cibersegurança está cada vez mais interligada com o equilíbrio de poder internacional, onde as decisões em torno de normas e políticas digitais têm um impacto profundo nas dinâmicas geopolíticas globais. A cibersegurança não é apenas uma questão técnica, mas um campo estratégico que define a posição das nações no cenário internacional.</p>Carolina Santos
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2026-02-062026-02-0618577310.60543/rcp1820.v1i8.11018Congo: A guerra invisível da violência sexual no século XXI
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<p>A violência sexual tem sido utilizada historicamente como estratégia de guerra, não apenas para dominação e submissão, mas também como ferramenta de destruição social e erradicação de identidades culturais e étnicas. Nos conflitos contemporâneos, a ONU alerta que civis são as principais vítimas, com mulheres, crianças e idosos entre os grupos mais vulneráveis. Além do impacto físico e psicológico, esta prática perpetua ciclos de trauma intergeracional, marginalização e desestruturação comunitária, dificultando a recuperação das sociedades afetadas. Na República Democrática do Congo (RDC), a violência sexual é amplamente empregue por grupos armados, incluindo forças governamentais, como método de terror e coerção populacional. Para além da agressão física, procura desmoralizar comunidades, enfraquecer grupos rivais e consolidar dinâmicas de poder assimétricas. A sua perpetuação deve-se, em grande medida, à impunidade estrutural e à fragilidade das instituições judiciais e de segurança, incapazes de garantir proteção e justiça às vítimas. Este estudo analisa a persistência da violência sexual como arma de guerra na RDC, investigando as suas causas, consequências e os desafios da sua erradicação. Serão exploradas as falhas nos mecanismos de responsabilização, a ineficácia das políticas de intervenção e a resposta da comunidade internacional face a esta grave violação dos direitos humanos.</p>Nádia Loureiro
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2026-02-062026-02-0618759410.60543/rcp1820.v1i8.11019Framing e Parcialidade nos Media: Uma Análise Comparativa da Cobertura da Fox News sobre os Decretos Presidenciais de Obama e Trump
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<p>Este artigo analisa comparativamente a cobertura da Fox News sobre os decretos presidenciais de Barack Obama (2009-2016) e Donald Trump (2017-2021), identificando padrões de <em>framing</em> seletivo e viés mediático. A hipótese central é que a emissora <em>framed</em> Obama como um governante autoritário, enquanto normalizou o uso de decretos por Trump. A pesquisa baseia-se na análise de discurso e no conceito de <em>framing</em> (Entman, 1993; Goffman, 1986), examinando manchetes, linguagem, contextualização e autoria dos textos publicados no site da Fox News contendo o termo <em>Executive Order</em>. Os resultados indicam que, durante o governo Obama, a emissora adotou um tom negativo, associando seus decretos a "tirania" e "abuso de poder". Já na cobertura de Trump, a abordagem foi neutra ou favorável, destacando pragmatismo e cumprimento de promessas. Esses achados corroboram o <em>Propaganda Model</em> de Herman e Chomsky (2008) e estudos sobre viés mediático (Hallin & Mancini, 2004; Patterson, 1993) evidenciando a influência ideológica nos media na construção de narrativas políticas. Esta pesquisa pretende contribuir para o debate sobre o papel da imprensa na polarização política, reforçando a necessidade do consumo crítico de notícias e da diversificação de fontes para preservar o pluralismo democrático.</p>Fernando Amorim
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2026-02-062026-02-06189510910.60543/rcp1820.v1i8.11020Recensão: Tavares, João. (2023). Franco Nogueira e a Política Externa Portuguesa do Estado Novo. Coimbra: Editora D'Ideias.
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<p>A monografia <em>Franco Nogueira e a Política Externa Portuguesa do Estado Novo</em>, da autoria de João Tavares (2023; 2020), que foi o resultado da sua dissertação de Mestrado em Relações Internacionais, realizada na Universidade Lusíada (Porto), oferece uma análise detalhada sobre o papel do embaixador Alberto Franco Nogueira (1918-1993), que exerceu as funções de Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal entre 1961 e 1969, no processo decisório da política externa portuguesa do Estado Novo sob as governações de António de Oliveira Salazar e Marcello Caetano. Publicado em 2023, sob a chancela da Editora D'Ideias, a presente obra examina de que forma o embaixador Franco Nogueira, um diplomata de formação jurídica e intelectual não convencional, tornou-se o executor da política externa portuguesa do “Orgulhosamente Sós” do Estado Novo, uma estratégia de resistência às pressões internacionais para evitar os ventos da mudança sobre descolonização que caracterizou o período do pós-Segunda Guerra Mundial, que foi um dos períodos mais desafiadores da diplomacia portuguesa.</p>Paulo Amorim
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2026-02-062026-02-061811311510.60543/rcp1820.v1i8.11021Recensão: Haass, Richard N. 2017. A World in Disarray - American Foreign Policy and the Crisis of the Old Order. New York: Penguin Press.
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<p>Na sua monografia, Richard N. Haass (2017a) apresenta ao leitor uma perspetiva realista sobre o estado caótico da atual ordem mundial em que nos inserimos, tendo como ponto de partida, a História das Relações Internacionais, que marcou o Velho Continente, desde o Século XVII, mais especificamente, a partir da Paz de Vestefália, e vai até ao fim da Guerra Fria. O autor analisa os principais desafios da política externa dos Estados Unidos da América (EUA), e ao mesmo tempo, apresenta recomendações para o executivo de política externa de Washington e o resto do mundo ocidental sobre como lidar com a desordem da ordem internacional, assim como apresenta uma análise sucinta das forças e dos eventos que moldaram o mundo tal como o conhecemos, sem nunca esquecer que os Estados operam no sistema internacional sempre de acordo com o seu interesse nacional, e a sua atuação encontra-se sempre condicionada pelos interesses das potências mais poderosas.</p>Cláudia Almeida
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2026-02-062026-02-061811711910.60543/rcp1820.v1i8.11022Recensão: Zakaria, Fareed, (2020). Dez Lições Para um Mundo Pós-Pandemia. Lisboa: Gradiva
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<p>Neste ensaio de Fareed Zakaria sobre os desafios provocados pela pandemia do novo coronavírus, verificamos que o autor parte de situações concretas, e a sua reflexão é sempre sustentada sob a perspetiva dos valores republicanos da democracia liberal.</p>João Tavares
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2026-02-062026-02-061812112410.60543/rcp1820.v1i8.11023Recensão: Bueger, Christian & Edmunds, Timothy. (2024). Understanding Maritime Security, Oxford: Oxford University Press
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<p>The 21<sup>st</sup> century prioritizes the ocean as a critical concern, a natural element that covers 70% of Earth´s surface with a specific role in the Earth system, a great conveyor that gives life to human beings and feeds them. The ocean is also used for transportation with 90% of it is done by sea.</p>Céline Rodrigues
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2026-02-062026-02-061812512910.60543/rcp1820.v1i8.11024