Da Europa Cruel à Europa dos Acordos Possíveis

  • Alfredo Margarido ULHT

Resumo

Qualquer reflexão consagrada à criação da União Europeia e seja qual for o número dos seus membros, deve começar pela manifestação simultânea de uma grande surpresa e de uma grande alegria: quando se consideram os primeiros quarenta e cinco anos da história europeia do século XX, o que encontramos exala o cheiro incómodo dos cadáveres não justificados, aos quais ninguém presta homenagem. Túmulos secos e áridos onde não eclode sequer o fantasma de uma flor. Lembro-me sempre do choque experimentado na Bretanha francesa com os monumentos aos mortos da primeira guerra mundial: os homens das famílias ceifados lentamente, os mais novos, depois os mais velhos, antes de voltar aos ainda mais novos. Tais monumentos revelavam uma certa Europa, amassada num sangue injustamente derramado e por isso mesmo condenado à esterilidade.
Publicado
2011-09-05