A aproximação de Portugal ao projecto europeu durante o Estado Novo
DOI:
https://doi.org/10.60543/rcp1820.v1i7.9949Palavras-chave:
Acordo Comercial, EFTA, Estado Novo, Europa, PortugalResumo
O Estado Novo compreendeu de uma maneira distinta, primeiro com Salazar e depois com Marcelo Caetano, que a aproximação ao processo de integração europeia teria de se concretizar, mas sem nunca perder de vista a essência do regime, com especial destaque para a política colonial, ainda que as trocas comerciais com a Europa fossem substancialmente mais significativas. A estratégia portuguesa de abeiramento ao projecto europeu é em grande medida determinada pela velha aliança com a Inglaterra, porém cedo se percebeu que os objectivos ingleses e respectivos propósitos políticos são outros e que a prazo a adesão à CEE seria inevitável. Ao invés, a adesão de Portugal às Comunidades é irrealista, como reconhecem as autoridades. O corpo diplomático e político conhece a dinâmica e orgânica europeias e procura no quadro legal e comunitário encontrar os melhores mecanismos de acercamento. Daí a escolha inicial pela EFTA, organização paralela à CEE, com Salazar, e depois por um acordo comercial, primeira etapa de uma associação futura à CEE, com Marcelo Caetano, no estertor do regime. Transparece no conjunto das reflexões produzidas ao longo desses anos, sobretudo, aquilo que o país não está disposto a abdicar, dada a matriz do regime. O compromisso era comercial, uma vez que era urgente melhorar o nível de vida. Pode por isso argumentar-se que a política externa portuguesa, particularmente no vector europeu, jogava uma cartada decisiva na sobrevivência do Estado Novo, num momento igualmente de viragem da construção europeia e de crescentes desafios mundiais.