CONCLUSÃO - EM JEITO DE CONCLUSÃO

  • Judite Primo Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

Em forma de conclusão podemos reter duas ordens de reflexões que ajudam a compreender e a clarificar o desenvolvimento da ecomuseologia.

Em primeiro lugar, do trabalho exposto salientamos alguns pontos que de certa forma nos parece terem ficado esclarecidos:

• os museus locais podem ser entendidos como elemento importantes para o processo de desenvolvimento local;

• o reconhecimento dessa importância ao nível da União Europeia, manifesta-se em particular através dos programas de iniciativa em que estão contempladas as acções desenvolvidas pelos museus locais;

• os museus locais e ecomuseus podem ser enquadrados na perspectiva da Nova Museologia, na verdade neles se pode exprimir a técnica e a teoria de uma acção museológica participativa e comprometida com a acção educativa e o desenvolvimento;

• a acção museológica participativa pressupõe o recurso à educação libertadora, educação informal, comunicação, diálogo e entendimento do indivíduo como sujeito do seu próprio desenvolvimento;

• o entendimento de que a educação pode ser entendida como um vector de desenvolvimento sustentável a condição de esta ser entendida como um dos elementos do processo de construção da cidadania;

• os estudos futuros sobre museus portugueses devem ter em conta a realidade nacional apresentadas no inquérito do IPM/OAC.

Em segundo lugar gostaríamos de enunciar algumas questões que em nosso entender devem sustentar um plano de intervenção ecomuseológica, o qual deve ter em consideração, por sua vez, quatro questões que tal como explicitou López de Aguileta na sua importante obra «Cultura Y Cidad: Manual de política cultural

municipal», que os equipamentos culturais devem ter em atenção na definição da sua programação e que resumidamente são as seguintes:

Nem todas as necessidades são cobertas por equipamentos, isso é válido qualquer que seja o tipo de equipamento: saúde, transporte, educação.

As necessidades são sempre diferenciadas pois mudam em função de factores como a idade, o sexo e a classe social e, isso por si só obrigaria à alterações quanto a dimensão, localização segundo cada território. Estes factos implicam por isso a necessidade de estudar detalhadamente a localização e o dimensionamento dos equipamentos por forma a reduzir inevitáveis desigualdades de satisfação.

A relação entre necessidade e equipamento é sempre bionívoca. Ou seja, se a necessidade cria o equipamento também o equipamento e a sua programação estimulam a necessidade. É bem verdade que no domínio cultural, muitos equipamentos são criados para estimular a necessidade e não só para satisfazê-la. Uma biblioteca estimula a leitura, como uma sala de exposições favorece o interesse pelos temas tratados.

As necessidades estão em permanente mudança. Isto é evidente no domínio cultural, sensível às novas realidades e tendências. A planificação de um equipamento deve pois ter a capacidade de prever e mesmo adiantar-se eventuais e previsíveis alterações, o que implica um contacto estreito com a população em geral. Neste sentido o projecto deve ser pensado de forma flexível.

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Como citar
PRIMO, Judite. CONCLUSÃO - EM JEITO DE CONCLUSÃO. Cadernos de Sociomuseologia, [S.l.], v. 30, n. 30, june 2009. ISSN 1646-3714. Disponível em: <http://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernosociomuseologia/article/view/464>. Acesso em: 24 mar. 2019.

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