NICEIA E O IDEAL DE UMA IGREJA UNIDA
Resumo
A efeméride dos 1700 anos do Concílio de Niceia tem sido certamente uma oportunidade única de celebrar e reflectir acerca desse evento importantíssimo da história do cristianismo, que não só moldou os fundamentos da fé cristã ortodoxa, como apontou caminhos para a idealização de uma igreja unida. Convocado em 325 d.C. pelo Imperador Constantino, que procurava tanto a unidade política como a harmonia religiosa, o Concílio reuniu bispos de todo o Império Romano, a fim de elaborar uma doutrina unificada, a qual culminaria, em 381, no Credo Niceno-Constantinopolitano, o qual acomodou as alterações introduzidas no concílio seguinte, em Constantinopla. Este credo – também conhecido por Símbolo Niceno-Constantinopolitano –, além de afirmar a divindade de Jesus Cristo contra as doutrinas de Ário e seus seguidores, simboliza igualmente o compromisso da Igreja primitiva com a unidade na fé. Desde Niceia, episódios como o Cisma de Calcedónia (451), o Grande Cisma do Oriente (1054) e a Reforma Protestante (1517), contribuíram decisivamente para a dissolução dessa unidade e o consequente surgimento de muitas divisões entre os cristãos, que ainda hoje persistem. Todavia, o Credo não perdeu ainda o potencial para interpelar e inspirar os cristãos de todo o mundo a unirem-se nesse propósito de atender aos anseios mais profundos de unidade manifestados pelo próprio fundador da Igreja, Jesus Cristo.



