Branquitude, Afasia Colonial e (Micro)agressões: Zwarte Piet como Herança Cultural e Dispositivo de Violência Racial
Resumo
Este artigo propõe realizar uma discussão e uma interligação dos conceitos de branquitude, afasia colonial e microagressões, articulando-os a partir da análise crítica do caso da tradição cultural do Sinterklaas e Zwarte Piet, considerado uma herança cultural nos Países Baixos. A análise tem como argumento que a manutenção dessa alegada tradição, serve como um dispositivo também simbólico de violência racial, legitimado por discursos de inocência, suposta neutralidade e de defesa da preservação cultural, reificando e contribuindo para a manutenção dos privilégios da branquitude que desconsidera, deslegitima e inferioriza as inúmeras manifestações que denunciam e violência e agressão promovida a partir da suposta máscara de tradição cultural. Neste sentido, o trabalho busca evidenciar como a afasia colonial e as alegadas (micro) agressões cotidianas operam na naturalização de práticas racistas no cotidiano, revestidas pela pretensa normalidade dos grupos dominantes que efetuam a manutenção dos próprios privilégios da branquitude e a estrutura da colonialidade. Por fim, defende-se a centralidade das vozes que foram historicamente subalternizadas na denúncia dessa realidade e na produção de resistências, como potências para a transformação das heranças coloniais, apontando para a construção de práticas culturais que valorizem a igualdade, a equidade e os direitos humanos.
Palavras-chave: branquitude; afasia colonial; microagressões; Zwarte Piet; tradição cultural
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