CAPÍTULO 1 – MEMÓRIA E IDENTIDADE: CORRELAÇÕES E INTERFERÊNCIAS

  • Adolfo Samyn Nobre Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

A proposta deste capítulo é analisar as correlações entre as categorias memória e identidade, ou seja, a maneira como se relacionam mutuamente, implicando em interferências em seus processos de construção. Inicialmente, no entanto, faz-se preciso aprofundar cada uma destas categorias, sublinhando-se, sempre que necessário, as relações entre uma e outra.

O conceito de memória coletiva foi inicialmente formulado por Maurice Halbwachs (1990) no contexto da tradição durkheimiana em que a questão das representações individual/coletiva, posta à mesa por Émile Durkheim nas últimas décadas do século XIX, era debatida. Na ocasião, a grande novidade da Escola Sociológica Francesa, liderada por este sociólogo, era a afirmação dos conceitos de consciência coletiva e de representação coletiva. O trabalho de Durkheim "Representações Individuais e Representações Coletivas" (DURKHEIM, 1970), tornou-se um clássico desta Escola, até hoje uma das mais importantes referências para o estudo das ciências sociais. Os intelectuais ligados à Escola Sociológica Francesa esforçavam-se para explicitar a idéia de que os indivíduos expressam representações que são sociais, ou seja, que dizem respeito a um coletivo de indivíduos. O grande debate do momento era: haveria uma autonomia do individual ou toda a representação individual é sempre coletiva/social? Para a Escola Sociológica Francesa, a ênfase estava em procurar compreender as determinações do social no individual.

Como citar
SAMYN NOBRE, Adolfo. CAPÍTULO 1 – MEMÓRIA E IDENTIDADE: CORRELAÇÕES E INTERFERÊNCIAS. Cadernos de Sociomuseologia, [S.l.], v. 33, n. 33, june 2009. ISSN 1646-3714. Disponível em: <https://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernosociomuseologia/article/view/501>. Acesso em: 14 oct. 2019.