A origem indiana do povo Romani como mito fundador nos museus da Europa Oriental

  • Douglas Neander Sambati Grupo de Pesquisa Estudos Interdisciplinares de Patrimônio Cultural da UNIVILLE

Resumo

O artigo analisa três museus – o Muzeum Romské Kultury na República Tcheca, o Muzej Romské Kulture na Sérvia e o Roma Ethnographic Museum na Polônia – podem ser considerados como elementos do nacionalismo romani. O principal objetivo é refletir sobre como esses museus apoiam uma narrativa generalista acerca de uma origem indiana comum às populações ciganas/romani. Discute-se ainda como os museus mencionados – por meio de suas exposições, sites, eventos ou qualquer outro tipo de produção oficial – dão suporte a um conjuntos de representações que permitem a formação de uma retórica guarda-chuva sobre os grupos conhecidos, considerados e auto-denominados como ciganos e/ou roma. Esta retórica, então, é capaz de abrigar todos os diferentes grupos dentro dessa denominação de maneira holística, com base em uma narrativa formada por essencializações, exotizações e generalizações. O resultado último de tais práticas é a formação de um mito fundador de suas origens indianas. Este artigo entende que os museus têm um papel no processo em que o conceito de Roma é generalizado, na tentativa de reescrever e recriar a memória cigana como história romani. Assim, considerando a pluralidade que caracteriza os povos cigano/romani, foi necessário articular aspectos comuns – verdadeiros ou não, não é alvo deste artigo para discutir – que legitimariam essa nova identidade, uma identidade romani. Este artigo baseia-se em teorias sobre memória, museologia, sociomuseologia e na teoria das representações.  

Palavras-chave: Cigano/Roma, Museus, Origens Indianas, Nacionalismo.

Biografia Autor

Douglas Neander Sambati, Grupo de Pesquisa Estudos Interdisciplinares de Patrimônio Cultural da UNIVILLE

O artigo analisa três museus – o Muzeum Romské Kultury na República Tcheca, o Muzej Romské Kulture na Sérvia e o Roma Ethnographic Museum na Polônia – podem ser considerados como elementos do nacionalismo romani. O principal objetivo é refletir sobre como esses museus apoiam uma narrativa generalista acerca de uma origem indiana comum às populações ciganas/romani. Discute-se ainda como os museus mencionados – por meio de suas exposições, sites, eventos ou qualquer outro tipo de produção oficial – dão suporte a um conjuntos de representações que permitem a formação de uma retórica guarda-chuva sobre os grupos conhecidos, considerados e auto-denominados como ciganos e/ou roma. Esta retórica, então, é capaz de abrigar todos os diferentes grupos dentro dessa denominação de maneira holística, com base em uma narrativa formada por essencializações, exotizações e generalizações. O resultado último de tais práticas é a formação de um mito fundador de suas origens indianas. Este artigo entende que os museus têm um papel no processo em que o conceito de Roma é generalizado, na tentativa de reescrever e recriar a memória cigana como história romani. Assim, considerando a pluralidade que caracteriza os povos cigano/romani, foi necessário articular aspectos comuns – verdadeiros ou não, não é alvo deste artigo para discutir – que legitimariam essa nova identidade, uma identidade romani. Este artigo baseia-se em teorias sobre memória, museologia, sociomuseologia e na teoria das representações.  

Palavras-chave: Cigano/Roma, Museus, Origens Indianas, Nacionalismo.

Publicado
2019-10-18
Como Citar
Sambati, D. N. (2019). A origem indiana do povo Romani como mito fundador nos museus da Europa Oriental. Cadernos De Sociomuseologia, 58(14), 39-59. https://doi.org/10.36572/csm.2019.vol.58.03