CAPÍTULO 1 - MUSEUS: BUSCA DE ADEQUAÇÃO À REALIDADE POR QUE OS MUSEUS?; TRAJETÓRIA DOS MUSEUS E URGÊNCIA DE TRANSFORMAÇÃO; O DISCURSO DA NEUTRALIDADE; OBJETO SIGNIFICANTE; CONCEITOS DE MUSEOLOGIA; O TRABALHO NOS MUSEUS — ATIVIDADES BÁSICAS

  • Manuelina Maria Duarte Cândido Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Resumo

Museus: busca de adequação à realidade por que os museus?

Quando pensamos em tratar dos objetos museológicos em nosso trabalho tínhamos em vista a importância da reconstrução dos significados históricos presentes na cultura material. É sabido que, num país como o Brasil, marcado pelo analfabetismo, os vestígios materiais e a memória oral são ainda mais significativos que quaisquer outros no que toca à representação da realidade de uma grande parcela da população, cuja história não é contemplada pelos documentos oficiais e pelos registros escritos de uma elite alfabetizada. Além disso, mesmo em caso onde os documentos escritos são abundantes, o suporte material tem possibilitado uma nova leitura que, se muitas vezes corrobora, em outras tantas levanta questões e hipóteses inusitadas sobre realidades históricas já analisadas à luz das fontes tradicionais.

 

Trajetória dos museus e urgência de transformação

A origem da palavra museu remonta à Grécia antiga, onde o Museion era o templo das Musas, para o qual eram enviados oferendas e objetos de valor. O museu concebido como um complexo cultural reunindo biblioteca, anfiteatro, observatório, jardins botânico e zoológico, existiu já no Palácio de Alexandria, também com o nome de Museion.

 

O discurso da neutralidade

A questão da neutralidade ao nosso ver é de importância fundamental pois, ao olhar menos avisado, a exposição não se investe de caráter ideológico e mantém-se na tênue linha da exibição descompromissada dos objetos e cuja interpretação possível tem como critérios apenas a estética formal e o valor material.

 

Objeto significante

Em resumo, a função primordial do museu: informar para agir. E o objeto museológico, comumente — mas não necessariamente — desprovido de seu valor de uso original, passa a um nível particular de interpretação e valor, que Baudrillard considera como estatuto simbólico, onde ele não é, de qualquer forma afuncional, nem mera figuração decorativa, porque aí se encontra exatamente para significar.

 

Conceitos de museologia

É preciso esclarecer que não há ainda definição firmemente estabelecida de Museologia. Em 1990, expoentes da Museologia como Tomislaw Sola pensavam seus textos e debates como “Contribuição para uma Possível Definição de Museologia ” , inclusive com sugestões recorrentes ao uso do nome patrimoniologia, mais condizente com o ponto de vista de Sola e aceito por Peter van Mensch (1990)— Presidente do ICOFOM —, segundo o qual
a museologia abrange todo um complexo de teoria e praxis que envolve a conservação e o uso da herança cultural e natural”  e onde “qualquer nível de tratamento prático dos objetos deve ser relacionado a uma visão (teórica) do significado do objeto como fonte de conhecimento”.

 

O trabalho nos museus — atividades básicas

Os museus são canais de comunicação da sociedade atual como seu patrimônio e, para isso, precisam viabilizar tanto a preservação deste patrimônio como o acesso da população a ele, num

processo que passa, minimamente, pelas fases de:

Documentação

Conservação/Restauração

Comunicação/Educação

Respeitadas as proporções e as possibilidades reais de cada museu, não se pode fugir à necessidade de, em tendo um acervo, documentá-lo, tratar de sua conservação e estabelecer uma

comunicação junto ao público, dentro de um propósito fundamental de educar. Sem estes passos não se pode considerar satisfatória uma ação museológica.

Como Citar
Cândido, M. M. D. (1). CAPÍTULO 1 - MUSEUS: BUSCA DE ADEQUAÇÃO À REALIDADE POR QUE OS MUSEUS?; TRAJETÓRIA DOS MUSEUS E URGÊNCIA DE TRANSFORMAÇÃO; O DISCURSO DA NEUTRALIDADE; OBJETO SIGNIFICANTE; CONCEITOS DE MUSEOLOGIA; O TRABALHO NOS MUSEUS — ATIVIDADES BÁSICAS. Cadernos De Sociomuseologia, 12(12). Obtido de https://revistas.ulusofona.pt/index.php/cadernosociomuseologia/article/view/321