Diálogos intergeracionais na formação inicial de monodocentes: o que dizem os estudantes?
Resumo
Neste artigo analisamos os contributos dos diálogos intergeracionais (DI) para a construção da profissionalidade docente na formação inicial de monodocentes. Apresenta-se um estudo de caso de duas experiências desenvolvidas no início da Licenciatura em Educação Básica (LEB): 1) nas aulas do 1º ano onde as estudantes escutaram histórias profissionais na 1ª pessoa de educadores/as de infância e professores/as do 1.º CEB; 2) no Projeto FYT-ID Cinquenta Anos de Docência em que estudantes do 2º ano entrevistaram educadoras de infância ou professoras do 1.º CEB. A análise das narrativas de doze estudantes (seis de cada contexto), apoiada nas dimensões da profissionalidade de Evans (2014) e em temáticas emergentes, permitiu compreender os significados atribuídos aos diálogos e interações com educadores de infância e professores do 1.º CEB empenhados. As narrativas realçam a forte experiência formativa dos DI e dirigem-se às diversas componentes da profissionalidade embora exista maior proeminência na componente atitudinal, seguida da comportamental e, por fim, a intelectual. Emergiram, ainda, a valorização dos docentes como referências, perceções sobre desafios atuais da profissão e relações entre a própria biografia e projeto profissional dos estudantes. O estudo aponta para a necessidade de incluir precocemente na formação inicial diálogos intergeracionais sob a forma de narrativas profissionais capazes de mobilizar os estudantes para as componentes intelectuais ou comportamentais da profissão, mas também para a componente atitudinal que incorpora dimensões emocionais, afetivas e sociais da profissão, permitindo uma formação mais humanizada.
Palavras-chave: Diálogos intergeracionais; Formação inicial; Investigação narrativa; Profissionalidade docente
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