A diversidade de estudantes na educação superior brasileira
entre potenciais e limites da formação para o bem público
DOI:
https://doi.org/10.24140/issn.1645-7250.rle.11718Resumo
A ampliação do acesso à educação superior tem diversificado o perfil dos estudantes em escala global, mas pouco se sabe sobre os efeitos dessa diversidade nos processos formativos e no desenvolvimento de capabilities profissionais voltadas ao bem público. O Brasil, que abriga o 4º maior sistema do mundo após décadas de expansão e políticas de ações afirmativas, constitui caso privilegiado para essa investigação. Ancorado no Public Good Professional Capabilities Index de Walker e McLean (2013), este estudo analisa, com base nas percepções de graduandos de uma universidade comunitária do Sul do Brasil, coletadas em grupo focal e submetidas à análise temática híbrida (dedutiva e indutiva), em que medida e em quais condições a diversidade discente contribui (ou não) para a formação voltada ao bem público. Os achados revelam que a convivência em turmas heterogêneas amplia a visão de mundo, fortalece a empatia e o pertencimento e enriquece a formação profissional. Sem mediação institucional adequada, entretanto, a diversidade pode converter-se em invisibilidade, preconceito e autocensura. Conclui-se que a heterogeneidade discente só se torna força formativa quando acompanhada de políticas institucionais intencionais de acolhimento, mediação e permanência.
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