A NECROPOLÍTICA AMBIENTAL E CURRÍCULO SILENCIADO
BIOPODER, TERRITÓRIO E O APAGAMENTO EPISTÊMICO COMO DETERMINANTES DO BAIXO DESEMPENHO ESCOLAR DE ESTUDANTES PERIFÉRICOS NO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.24140/issn.1645-7250.rle.1299Abstract
O presente artigo investiga as interseções entre racismo ambiental, biopoder, necropolítica e apagamento curricular como determinantes estruturais do baixo desempenho escolar de estudantes negros, pardos, indígenas e periféricos no Brasil. Partindo de uma proposta epistemológica decolonial, o estudo propõe o conceito operacional de necropolítica ambiental educacional para designar o conjunto de forças territoriais, biopolíticas, curriculares e simbólicas que, de modo articulado e historicamente sedimentado, produzem a morte lenta das possibilidades cognitivas e escolares de populações racializadas. A partir de revisão sistemática da literatura nas áreas de sociologia da educação, ecologia política, estudos decoloniais e sociologia do currículo, o artigo demonstra que a sobreposição entre vulnerabilidade ambiental e baixo desempenho escolar não é acidental nem individual, mas constitui um padrão estrutural de distribuição racialmente orientada de males ambientais, privação de bens epistêmicos e silenciamento curricular. O artigo avança uma tese original: a escola pública periférica, ao operar dentro de territórios necropoliticamente produzidos e ao reproduzir um currículo que apaga as epistemologias do Sul, não apenas deixa de compensar as desigualdades, ela as aprofunda, tornando-se parte ativa do dispositivo de morte social que atinge os estudantes que deveria proteger. Conclui-se pela necessidade de uma reorientação epistemológica e curricular que reconheça o território como espaço de saber, o corpo racializado como sujeito epistêmico e a justiça ambiental como condição para a justiça educacional.
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