Sérgio Niza e a “autoformação cooperada”: reflexões em torno do modelo pedagógico do MEM
Resumo
O presente artigo foi elaborado no quadro de um projeto de pesquisa que tem por finalidade o estudo de experiências de inovação pedagógica desenvolvidas em Portugal em particular na segunda metade do século XX. O Movimento da Escola Moderna (MEM), que se desenvolveu, a partir dos anos 60, sob inspiração da pedagogia Freinet, foi um dos grandes protagonistas desse esforço de renovação pedagógica sendo a sua influência visível em várias das experiências escolares que viram a luz do dia a partir desse momento. Para além da inspiração original, o MEM aprofundou a sua fundamentação teórica incorporando as teses de um certo construtivismo sociocultural, o que nos conduz igualmente à reflexão sobre a relação entre “tradição” e a “inovação”. Sérgio Niza é, incontestavelmente, a figura de referência do MEM e um dos educadores mais importantes do campo pedagógico português contemporâneo, acabando a sua trajetória pessoal por coincidir com o próprio percurso do Movimento. Este texto tem por finalidade promover uma reflexão sobre o projeto de formação de educadores/as, a chamada “autoformação cooperada”, tal como foi teorizada por Sérgio Niza e corporizada no MEM. Utilizaremos como fontes os escritos que o educador foi dedicando ao tema da formação ao longo da sua trajetória. A nossa proposta implica pensar o modelo pedagógico e o pensamento de Sérgio Niza como excelentes exemplos daquilo que podemos considerar, na linha de Peter Burke, uma “tradição de inovação”.
Palavras-chave: pedagogia Freinet; construtivismo sociocultural; tradição; inovação; autoformação cooperada.
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