Inadimplência das famílias brasileiras e educação financeira no Ensino Médio: evidência de descompasso
Resumo
A inadimplência das famílias brasileiras manteve trajetória ascendente entre 2022 e 2025, com predominância de dívidas ligadas a bancos/cartões, contas recorrentes (utilities) e financeiras, o que reforça a necessidade de uma educação financeira escolar conectada a situações reais de crédito, consumo e endividamento. Este artigo investiga em que medida os conteúdos de matemática financeira previstos nos Projetos Pedagógicos de Curso do Ensino Médio Integrado do Instituto Federal de São Paulo atendem ao perfil recente de inadimplência. Trata-se de um estudo de caso documental baseado no “Mapa da inadimplência e renegociação de dívidas no Brasil” e na análise de 102 PPCs de 37 campi. Entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025, o contingente estimado de inadimplentes aumentou em 16,38 milhões, e a taxa passou de 40,30% para 49,77%, com maior concentração entre 26 e 60 anos e crescimento relativo da população acima de 60 anos. Nos PPCs, predominam a matemática financeira, juros simples e compostos, enquanto a equivalência de taxas, amortização, inflação e investimentos aparecem com baixa frequência. Conclui-se que persiste um descompasso entre a complexidade do endividamento e o aprofundamento curricular assegurado pelos PPCs, reforçando a necessidade de revisão curricular e do uso de dados reais em práticas de educação financeira crítica.
Palavras-chave: Educação financeira; Endividamento; Currículo
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